na primeira manhã depois do esquecimento ele não sabia mais se ele ou ela. na primeira manhã depois do esquecimento ele quis beber água gelada mas antes precisava abrir a porta da, a porta do, a porta... porra, a porta da coisa branca ligada na eletricidade e que tem motor e que em estando fechada, gela a água. na primeira manhã depois do esquecimento ela ele pegou a coisa e espremeu na coisa e foi escovar os dentes. saiu nu depois de dar uma excelente mijada e ficar balançando e coçando aquela coisa pendurada. ligou a coisa e ficou assistindo. tinha que fazer alguma coisa, mas como não lembrava, deixou pra lá. na primeira manhã depois do esquecimento ele pegou um livro aleatoriamente e folheou sem paciência. nada lá daquelas coisas fazia sentido. vestiu uma coisa qualquer e saiu porta afora pra procurar alguma coisa. a beira do rio sujo cheio de coisas boiando na água lhe deu um sentimento quase saudade. coisa besta. na primeira manhã depois do esquecimento ela ele passou a mão no rosto e o sentiu molhado. estava chorando provavelmente há algum tempo por alguma coisa. solidão talvez. na primeira manhã depois do esquecimento eles sentou-se e começou a brincar com aquela coisa quadrada que se tem de ordenar as cores. nada está ordenado. é a mistura das coisas que torna as coisas interessantes. na primeira manhã depois do esquecimento elas saiu sem destino. em algum lugar, alguma coisa aconteceria.

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