quinta-feira, 18 de outubro de 2012

na primeira manhã depois do esquecimento ele não sabia mais se ele ou ela. na primeira manhã depois do esquecimento ele quis beber água gelada mas antes precisava abrir a porta da, a porta do, a porta... porra, a porta da coisa branca ligada na eletricidade e que tem motor e que em estando fechada, gela a água. na primeira manhã depois do esquecimento ela ele pegou a coisa e espremeu na coisa e foi escovar os dentes. saiu nu depois de dar uma excelente mijada e ficar balançando e coçando aquela coisa pendurada. ligou a coisa e ficou assistindo. tinha que fazer alguma coisa, mas como não lembrava, deixou pra lá. na primeira manhã depois do esquecimento ele pegou um livro aleatoriamente e folheou sem paciência. nada lá daquelas coisas fazia sentido. vestiu uma coisa qualquer e saiu porta afora pra procurar alguma coisa. a beira do rio sujo cheio de coisas boiando na água lhe deu um sentimento quase saudade. coisa besta. na primeira manhã depois do esquecimento ela ele passou a mão no rosto e o sentiu molhado. estava chorando provavelmente há algum tempo por alguma coisa. solidão talvez. na primeira manhã depois do esquecimento eles sentou-se e começou a brincar com aquela coisa quadrada que se tem de ordenar as cores. nada está ordenado. é a mistura das coisas que torna as coisas interessantes. na primeira manhã depois do esquecimento elas saiu sem destino. em algum lugar, alguma coisa aconteceria.

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